Skip to content

UP+
"...Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: “O Senhor fez coisas grandiosas por este povo”.Sim, coisas grandiosas fez o Senhor por nós, por isso estamos alegres." Salmos 126:1-3

‘Perdi meu filho para a violência’

Publicado por Roseli Garrucho - dezembro 18, 2013 - Notícias Brasil

Mais de 70 jovens morrem por dia de causas violentas no Brasil. Pais que perderam seus filhos para a violência contam como tentam refazer suas vidas.

PORTO ALEGRE, Brasil – A vefilhosndedora Adriana da Silveira revive diariamente a manhã de 7 de abril de 2011. Ela ainda se pergunta o que poderia ter feito de diferente para evitar a morte da filha Luiza, então com 14 anos.

A menina foi um dos 12 estudantes assassinados por Wellington Menezes de Oliveira, 23, dentro da escola Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ex-aluno da instituição, Oliveira invadiu o local, atirou contra os jovens e se matou em seguida.

Apesar da dor, Adriana descobriu forças e se uniu a outros pais para fundar a ONG Associação dos Familiares e Amigos dos Anjos de Realengo, que reúne cerca de 70 pessoas.

“Lutamos por mais segurança nas escolas, mas também buscamos conforto uns nos outros. Somos hoje uma grande família”, diz Adriana.

O sofrimento de Adriana é comum a milhares de famílias brasileiras.

“[A violência entre os jovens] virou pandemia, e só piora”, lamenta o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da série Mapa da Violência, divulgada em julho pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela).

De um total de 670,946 homicídios por armas de fogo entre 1980 e 2010, 57,7% das vítimas tinham de 15 a 29 anos, segundo o Mapa.

O estudo mostrou ainda que 338,596 jovens de 15 a 24 anos morreram de causas violentas entre 2000 a 2011, o que corresponde a uma média de 77 mortes por dia.

“São estatísticas absurdas e inaceitáveis em qualquer lugar do mundo”, diz o sociólogo.

Em Alagoas, a média anual de assassinatos de jovens subiu 185,6% entre 2001 e 2011, segundo o Mapa da Violência. O estado ocupa atualmente o primeiro lugar no ranking de estados mais violentos do Brasil.

O projeto Ufal (Universidade Federal de Alagoas) pela Vida tenta humanizar a brutalidade da perda no estado.

“Mostramos que as pessoas que morreram tinham talentos, amores”, explica Ruth Vasconcelos, coordenadora do projeto.

A obra mais emocionante é a do Bosque da Esperança, no campus da universidade, em Maceió. No local, foram plantadas 140 árvores, símbolos de vidas perdidas.

Um exemplar da espécie pau-ferro representa Carlos Roberto, filho do aposentado Sebastião Pereira dos Santos, 73. Ele até hoje não localizou o corpo de Carlos Roberto, morto em 2004, aos 31 anos, com mais de 20 tiros.

“O corpo sumiu do Instituto Médico Legal. Ao plantar a árvore, enterrei meu filho”, diz Santos, que vai ao bosque toda semana. “A planta dele é a mais alta e bonita.”

O único filho do empresário Luiz Fernando Oderich, 63, Max, morreu em 2002, aos 26 anos, após levar um tiro no coração durante assalto em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

“Perdi meu filho para a violência. Perdi tudo”, desabafa o empresário, que nunca descobriu quem matou seu filho.

Oderich criou a ONG Brasil Sem Grades, que lidera campanhas por leis mais rigorosas e cobra solução de crimes.

Apenas 6,1% dos inquéritos por homicídios dolosos (com intenção de matar) são solucionados no país, segundo o Relatório da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp).

Para Waiselfisz, a mobilização dos pais é fundamental para mudar esse quadro: “Os grupos de familiares têm importância radical, porque eles não temem a tolerância institucional à violência”.

Em João Pessoa, capital da Paraíba, os filhos da bancária Gláucia Belmont, 65, e da enfermeira Hipenestre Carneiro, 52, morreram com intervalo de um mês, entre março e abril de 2010.

“Criamos o grupo Mães na Dor para dar um grito de luto à luta”, conta Gláucia, que perdeu o filho Everton, então com 27, morto com dois tiros em um bar.

“Comecei sozinha. Quando vi, tinha mais 60 mães comigo. Nosso recado é: ‘Você não está só’”, diz Hipenestre, cuja filha Aryane foi assassinada pelo namorado, aos 21 anos.

Através de blogs e do Facebook, os grupos de todo país se entrelaçam. O Mães na Dor participa das ações da ONG Justiça É O Que Se Busca, que apoia o Anjos de Realengo.

A ativista Sandra Domingues fundou o Justiça É O Que Se Busca em 2004, mesmo sem nunca ter perdido familiares para a violência.

Sandra diz ter se indignado com a impunidade generalizada e decidiu mobilizar as pessoas pela internet e em atos públicos, além de conseguir psicólogos e advogados voluntários para apoiar as famílias.

Uma das atividades da ONG é uma missa mensal na Igreja São Judas, em São Paulo. Cerca de 400 famílias participam com velas e imagens dos filhos.

“Depois, vamos lanchar para descontrair, falar dos filhos e chorar”, diz Sandra.

Danos e recomeço

A professora Luiza Jane Eyre de Souza Vieira, da Universidade do Ceará, descobriu que a perda de um filho provoca graves danos à saúde. Muitas mães descambam para abuso de álcool, cigarro ou remédios, diz o estudo “Impacto da Violência na Saúde de Famílias”, que tem Luiza entre os autores.

“Elas se sentem frágeis física e mentalmente”, diz a professora, que entrevistou mães da Associação de Parentes e Amigos Vítimas da Violência, de Fortaleza. “O grupo recompõe a autoestima e confiança. Muitas delas voltam ao convívio social e reorganizam suas vidas.”

 

Fonte:http://infosurhoy.com/pt/articles/saii/features/main/2013/12/02/feature-01

Compartilhe este artigo!

Compartilhe nas redes sociais.


Artigos Relacionados

É possível que sejam do seu interesse.

Comentários

O que você achou do artigo acima?